quinta-feira, 5 de novembro de 2009

The Piano Has Been Drinking (Me Too)

MELHOR ATRIZ DE FILME DE SACANAGEM DA HISTÓRIA, PORRA!!!!1!UM!


Músicas são putas. Putas pequenas. Putas que ninguém lembra de pagar. Putas que ninguém lembra de agradecer. Nós cedemos uma dança, e é isso. A música segue seu curso, morre no ar, e é isso. É como todas nossas paixões. Tudo morre antes de chegar na geladeira. Why don’t you open up at all? I am ready, I am ready for a fall. Eu gosto de Hot Chip. Essa música foi uma das poucas bonitinhas que fizeram sucesso ultimamente que eu realmente achei massa. Eu lembro que mostrei essa música pra uma amiga minha. Ela não gostou. Me esculhambou depois, disse que era gay, disse que Justice era bem melhor. Puta gorda! Comparar com Hot Chip com Justice ainda me causa uma dor em tudo, menos no cu. Eu tenho um amigo que deve achar divertido dar a bunda. Mas nada disso tem qualquer relação com o ponto.


O ponto é que música foi um treco pra ouvir e curtir. Curtir qualquer tipo de coisa. Mesmo a dança mais babaca da história, ou aquela fossa épica. "Porra, por que ela não quis dar pra mim?" - você já esteve lá? Eu também! Você está bêbado? Eu estou! E muito! Nem estou conseguindo focar em porra nenhuma. Esses dias concordei que era melhor falar de bandas desconhecidas. Mas isso é foda. Eu sou meio indie galera, odeio decepcionar. Eu tentei ser TROO. Eu tentei gostar de um HEAVY METAL. Eu tentei gostar de alguma porra obscura, tipo Art Zoyd. Eu tentei gostar de alguma porra esquecida, tipo The Animals. Eu tentei gostar de tudo. E eu gosto de tudo isso. Mas no fundo, eu sou daqueles guris que gostam de usar camisa listrada, óculos ray ban, não se importar com nada, e só comentar o quão foda o Pavement era. Sim, a vida é linda!


Ian Williams ainda se perguntando onde o beque que estava em sua mão foi parar.


Esses dias um cara veio falar pra mim que ser indie era ser gay! O cara gostava de Placebo e QOTSA, puta que me pariu. Dar a bunda e ouvir Placebo é essencialmente o mesmo movimento, e se tu GOSTA de QOTSA, por que não dar a bunda? Tu já desativou seu cérebro faz tempo mesmo... Foda ser sacaneado por um cara que gosta de PLACEBO. Nada contra quem gosta, mas quem gosta, se do sexo masculino, geralmente gosta também da idéia de andar de cavalo, só que por baixo do cavalo. Minhas metáforas sexuais bizarras nas antigas costumavam ser mais engraçadas. Eu fazia mais sexo nas antigas, hoje só fico de babaquice sofrendo por garotas malucas. Talvez isso explique tudo. Tá, e o cara que é fã de Placebo, aquele do contexto no começo do parágrafo, talvez faça mais sexo que eu hoje. Mas se pintar um negão, daqueles jogadores de basquete, todo suado em seu trabalho pedindo um TOALHA, duvido muito que o cara não ofereça a bunda. Troço sério!


EFFET JURIDIQUE. Le présent contrat décrit certains droits juridiques. Vous pourriez avoir d’autres droits prévus par les lois de votre pays. Le présent contrat ne modifie pas les droits que vous confèrent les lois de votre pays si celles-ci ne le permettent pas. Remarque : Ce logiciel étant distribué au Québec, Canada, certaines des clauses dans ce contrat sont fournies ci-dessous en français.


Esses caras gostam de beijo grego, certeza.


O final de "Chemical World" quase vale um texto meu inteiro. Eu digo isso porque, num mundo ideal, um texto meu ganha um boquete pra mim mesmo. Caso contrário, por que eu escreveria? Pra alguém gostar sem nenhum favor sexual envolvido no meio? Isso não faz sentido. Por que então eu devo pagar pelo cigarro que estou fumando agora? Todos os prazeres desse mundo são pagos, e eu não to dizendo que um texto meu é um PRAZER pra qualquer tipo de forma de vida. Só acho muito foda como temos que pagar por tudo. Drogas? Pague, e torça pra não ser preso por estar fazendo algo que devia interessar só a você mesmo. Cigarros? Pague a moça da padaria, mesmo ela tendo bigode e parecendo seu tio CLEBER. Sexo? Pague a puta, ou compre presentes de aniversário de namoro, no delírio de algum tipo de exclusividade mútua. No final, a festa sempre morre. Falta sempre algo na mesa, sempre sobra alguém enforcado.


Honestamente, eu comecei esse post achando que ia falar de Blur. O quanto Blur era uma banda incompreendida. São duas bandas que foram bastante injustiçadas pelos rótulos que receberam: Alice in Chains sendo chamado de GRUNGE por qualquer idiota que dava a bunda e escrevia pra Bizz, e Blur sendo chamado de BRIT POP. Blur não é BRIT POP nem fudendo, não no sentido que o Oasis e o Verve são. Blur é uma banda psicodélica que acabou fazendo sucesso porque o Damon Albarn é um compositor do caralho. Não vou aqui dizer que os caras são os Heads porque o treco é diferente. Blur é daquele tipo de coisa que tu entende. Tu bebe uma cerveja, chega em casa, taca no computador e acha que entende. Mas um dia alguém te oferece algum bagulho muito louco, tu chega em casa, taca no computador e ENTENDE. Esse bagulho muito louco pode ser sexo, eu não faço apologia a drogas. Até porque hoje em dia eu vivo sóbrio, graças a Sesus.


"U BETTÁ RUN FOR YA LIFE, BITCH!"


Mas então eu lembrei o quão massa Hot Chip é. Hot Chip é muito massa. Não é o tipo de coisa que vai mudar a vida de ninguém, sabe. Não entendo essa necessidade. Pessoal tem essa viadagem, de querer MARCAR a outra pessoa. De querer MUDAR, colocar uma coleira num espírito francamente livre. Fazer a pessoa parar de ver graça em coisas que são proibidas pela santa Igreja Católica. Nós conhecemos alguém, nós gostamos desse alguém, então pra que querer mudar? Foda-se essa putaria. Você não vai mudar uma garota que vai no banheiro de 5 em 5 minutos, e não pra mijar. Você simplesmente não vai. Então se diverte, porque provavelmente a guria é épica. Hot Chip é mais ou menos nessa linha. É até uma banda meio merda. Mas é inegavelmente divertida. Assim como Gorillaz, outra banda do Damon Albarn. E coisa e tal.


E antes de terminar, eu gostaria de falar de Battles. Porra, Battles é incrível. Você conhece Circa Survive? Caso a resposta seja "não", por favor, não conheça. É uma merda. É uma aberração. E meus amigos todos gostam dessa merda. Não vou dizer que fui eu que apresentei Battles pra eles, até porque não sei se foi. Mas Battles é o som que o cara que curte Circa Survive curtiria se ele não curtisse dar a bunda. Na real, não tem nada a ver. Mas eu gosto de sacanear o mau gosto alheio. Isso é perceptível. É tão perceptível quanto o fato de que eu fui ficando menos bêbado a medida que esse texto foi progredindo. Mas ainda assim, não foquei em porra nenhuma. Eu podia escolher uma banda, e me meter a fazer uma BIOGRAFIA dos caras. Mas pra que? Eu podia falar de Wedding Present, mas pra que? Prefiro falar de tudo. Prefiro falar da garota que eu quero comer. Ela tem uns peitão massa (e eu sabemos usar plural, tá?). Mas isso está além do ponto.


Então, Battles é do caralho! Os caras tocam absurdamente, o som é estranho e diferente, e não existe nada parecido. Quando alguém te falar de uma banda de Math Rock que não for Don Caballero, Hella ou Battles, desconfie. Provavelmente é um bauruzinho. Você sabe o que é um bauruzinho? Procure no GOOGLE então, porra! Eu sou TROO agora. Tou ouvindo ManOwaR e sentindo o FEELING da coisa. Na real, estou ouvindo Strokes. "Modern Age". Essa música é legal. Óbvio que a banda é uma putaria, no pior sentido da palavra. Mas eles tem umas músicas legais. E ela me respondeu isso, sabe. Eu perguntei como ela tava, ela respondeu "legal". Eu dou importância demais pra isso, verdade. Mas prefiro brincar com isso tudo do que só tentar engolir essa porra toda. O incrível é que eu já perdi buceta por causa das babaquices que eu escrevo. Vou parar aqui e agora, e só me limitar a falar o seguinte: Blábláblá referência sexual gratuita blábláblá.


Porra, quase me esqueci: Hoje um cara me parou na rua pra me perguntar se eu gosto de U2. Eu respondi que rock é coisa do diabo, e que eu ia rezar pela alma dele. Não muito depois, um cara quase brigou comigo porque eu não quis dar um cigarro pra ele. Ele disse "porra, vai regular um cigarro?", daí eu falei "po, vou né cara"... Um dia desses, se eu morrer, saibam que eu provavelmente mereci.


Os justos clama, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

There She Goes + She's Like Heroin To Me = S2

RAOWR!


Uma das coisas que mais me irrita é começar um texto. É chato ter só o meio e nunca o começo, eu sei sobre o que quero falar, mas é foda encarar desse jeito. Tenho que fazer alguma gracinha, ou tentar não só pular pro meio do barato. Eu sou um cara que respeita demais a importância das preliminares, especialmente um boquete. Tem homem que não gosta muito de boquete, não consigo entender. Nas sábias palavras dum amigo meu, "não tem como não gostar de boquete, a boca da mulher forma praticamente uma buceta". Isso pra mim é filosofia. Sério. Assim, você PODE entrar num grupo de filosofia, e discutir Aristóteles com um bando de gente que não faz idéia do significado daquilo. Mas por que você faria isso?


Você pode também ficar falando de presença de palco. Eu odeio quando nego glorifica alguma banda por sua PRESENÇA DE PALCO, e geralmente é porque os caras se tacam no chão. Tem sempre alguém que acha MUITO FODA o cara só se tacar de um lado pro outro, quantas vezes já não ouvi da presença de palco do Cedric? "Porra meu, ele se mata inteiro!". Foda-se. É um show de música, não é um circo. É aquela velha história, nunca confunda palhaçada com meter o palhaço. As preliminares também servem como momento de adoração ao corpo feminino, que é um verdadeiro monumento. É talvez a única prova da existência de algum tipo de Deus. Nada chega perto de uma mulher tirando a roupa, absolutamente nada.


Só agora reparei na cara de bunda dos dois caras que estão mais ao fundo nessa foto...


Um show de música envolve gerar alguma perplexidade no público. Se você fica realmente espantado com um cara se quebrando inteiro no palco, ou com uma banda inteira fazendo macaquices, parabéns. Não há nada de errado. Não há nada de errado em ser gay também, só dizendo. Mas pra mim, tem que ser algo mais grandioso. Algo que independe de performance, algo que seja natural. Falando em natural, eu curto pentelhos retirados. Nada contra uma fêmea peluda ali, tem seu valor, obviamente. Mas eu prefiro um visual mais 'visual' mesmo. Nem sei porque ainda estou falando disso na real, mas parece ser um assunto agradável. Algo justo pra uma quarta-feira sem sexo, sabe. Já que não estou fudendo, posso ao menos teorizar em cima.


Uma vez eu vi um show da Kate Nash na TV. Eu comeria ela, mas isso tem pouca relação com o que eu quero falar. A coisa sobre ela é que ela ficou o show todo com o rabo no piano e não no meu pinto. Isso me pareceu tão injusto. Mas falando sério agora, ela ficou o tempo todo cantando sem muita gracinha, só tocando piano. Era absolutamente impossível tirar os olhos dela. A menina simplesmente PRENDE tua atenção, me deixou até meio perdidão. Eu só consegui mudar de canal, ou levantar pra dar um mijão, e eu francamente não me lembro o que eu fiz, até acabar a música. Isso é presença. Não dá pra tirar os olhos dela. Não dá pra parar de ouvir a música no meio. Tem alguma coisa ali que não existe mesmo.


Eu acho que esses rapazes curtem dar o rabo. E você?


Isso pra mim é presença de palco. Não fazer alguma gracinha e esperar a empatia do público, e sim só tocar a porra da música, e esperar que isso passe sua mensagem. E não faça pose ou macaquice, trate a música com respeito, caralho.


Volta-te para mim, e compadece-te de mim; dá a tua força ao teu servo, e a salva o filho da tua serva.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pra Parar de Ouvir Mars Volta

OIE!


Mars Volta é uma praga. É quase uma doença. Não é só uma banda ruim, é toda uma cultura babaca. É toda uma postura errada. E isso contamina os fãs também, que tendem a ser babacas e acharem que música pode ser discutido objetivamente. "Não, cara, você TEM QUE gostar disso, o cara toca demais!". Fuck that noise. Preocupado que sou, criei um guia pra galera parar de ouvir Mars Volta. Matar pela raiz, esse tipo de coisa. É um guia em 10 passos, 10 discos que ouvidos em sequência devem te tirar do Mars Volta. Ou não, mas ao menos tente.


1) Mark Lanegan - Whiskey For The Holy Ghost


Lanegan é um rapaz estranho. Imita Tom Waits sem nenhuma vergonha, tocou com Screaming Trees e Queens of the Stone Age, duas bandas de MERDA, e tem a tatuagem mais foda da história na mão. Embora essas bandas citadas sejam realmente péssimas, a carreira solo do rapaz é no mínimo decente, e esse disco em questão é ótimo. O fã médio de Mars Volta tem alguma coisa chata com necessidade de cultuar algo, algo que seja cool o suficiente pra eles repetirem pra todo mundo. E esse disco é exatamente isso, só que consegue ser bom de alguma forma. Eu recomendaria Gutter Twins, mas o cara tem que chegar até o Gutter Twins através da carreira do Greg Dulli.


2) Drive Like Jehu - Yank Crime


O fã médio do Mars Volta trata a banda anterior dos caras, o insuportável At The Drive-in, como o antigo testamento da bíblia. Tem gente que honestamente acha que eles inventaram o post-hardcore. E pra parar de ouvir ATDI também, nada melhor que os contemporâneos Drive Like Jehu. Aonde o ATDI é viadinho, o DLJ é torturado. Não é uma banda de audição fácil, justamente por ser arrastado demais. E não arrastado no sentido de um doom/stoner, é como ser espancado em câmera lenta. É de longe muito melhor que a bosta do ATDI.


E qualquer bosta é muito melhor do que essa bosta aqui.


3) We Versus the Shark - Dirty Versions


WVTS é nesse sentido como comer cenouras pra parar de fumar. Conceitualmente, parece um pouco com Mars Volta, só que sem a viadagem metida a épica. Não é a melhor coisa da história da humanidade, e francamente em momentos a banda é simplesmente babaca, mas é uma coisa decente, principalmente quando eles puxam mais pro lado indie da coisa. E, não, não to dizendo que ser indie é uma coisa boa, mas é certamente melhor do que o outro lado do WVTS. Boa banda, nada espetacular, mas certamente decente.


4) Murder By Death - In Bocca al Lupo


O fã médio de Mars Volta PRECISA de um gimmick pra ouvir uma banda. Algo que ele possa usar pra rasgar a cueca no rabo, sair correndo, e dar escândalo. Algo pra contar pros amigos. E o Murder By Death tem a Sarah Balliet ("MEU, VOCÊ JÁ VIU ESSA MINA TOCANDO VIOLONCELO?! CARALHO, CARA!"). E o som é até certo ponto uma conclusão natural do WVST, é mais pro lado indie da banda. Parece Nick Cave também, e qualquer coisa que pareça Nick Cave tem grandes chances de ser bom. Se você, fã de Mars Volta, conseguir gostar do vocal do cara, já é um progresso enorme.


5) Muddy World - Finery Of The Storm


Normalmente, o fã de Mars Volta gosta também de math rock babaca. Tipo Tera Melos, Cinemechanica, Volta do Mar, e esse tipo de atrocidade. O Muddy World também faz um math rock diferente, só que é uma banda boa. Aonde essas bandas que eu citei são baitolas, o Muddy World é doidão e experimental. É também um Math com alguns toques meio melódicos, só que com algumas influências bem bizarras. Ouvir isso aqui e não a bosta do Tera Melos é andar metade do caminho em direção ao bem e a verdade, HOSANNA NAS ALTURAS!


6) Neurosis - Times of Grace


Quando eu penso numa banda que é exatamente o INVERSO do Mars Volta, a primeira que eu penso é Neurosis. Neurosis é FODA, é um puta dum som absurdo. Não tem nada a ver com Mars Volta, mas, honestamente, existindo algo assim foda no mundo, como tem gente que perde tempo ouvindo aquela guitarrinha tosca do Omar e o vocal bunda do Cedric? Um bom exercício é ouvir "Under the Surface" e logo depois tacar QUALQUER COISA do Mars Volta. Se você ainda sentir vontade de se referir a essa porra de banda como "THE Mars Volta" (pronúncia bem forçada no "THE", quase um "DÊ", tipo "dê o rabo", o que até faz sentido parando pra pensar), tem algo de muito errado contigo.


Okay, se você gostar dessa porra, aí sim tem algo de MUITO errado contigo.


7) Beastie Boys - Paul's Boutique


O fã médio de Mars Volta é um bicho cabeça fechada musicalmente. Não gosta de nada que fuja daqueles gêneros idiotas que ele escolheu. Então nada melhor que ouvir um hip hop pra parar com essa viadagem. Eu poderia sugerir um Public Enemy ou Eric B. & Rakim, mas não tem a menor chance do fã médio de Mars Volta curtir. Beastie Boys ainda faz sentido pelo gimmick ("ELES SÃO ÓTIMOS MÚSICOS!"). E, falando sério, o cara que se nega a gostar de hip hop sem nem conhecer ao ouvir o Paul's Boutique deve cair da cadeira. Se não cair tem algo de muito errado. Paul's Boutique é o tipo de disco que abre horizontes, e deve fazer com que o fã médio de Mars Volta pare de querer abrir o cu.


8) Scorch Trio - Luggumt


Só porque é do caralho, e é uma boa alternativa pro lado punheteiro do Mars Volta. Os caras do Scorch Trio tocam demais, e Deus sabe que o fã médio de Mars Volta ADORA quando alguém toca demais.


9) Bardo Pond - Bufo Alvarius, Amen 29-15


Eu já ouvi de gente séria que Mars Volta é chapante. Chapante? Sério? Aquela merda? Bom, pra tirar qualquer dúvida, esse lançamento do Bardo Pond é de longe a coisa mais chapante que eu conheço. Óbvio que existem coisas mais 'out there', mas nada deixa o cara mais perdidão do que isso aqui. Prestando atenção na dinâmica e nos detalhes, de certeza você vai acabar babando. Esse é o som do chá de cogumelo batendo com força no seu cérebro.


10) Microphones - The Glow Pt. 2


Se você, fã de Mars Volta, conseguir ouvir esse disco inteiro, e entendê-lo ainda por cima, levante as mãos e diga "ESTOU CURADO". Porque é virtualmente impossível ser fã de Mars Volta e desse disco.


Espero que esse meu guia sirva de qualquer coisa. Se você não parar de ouvir a bosta do Mars Volta depois de ouvir tudo isso, bem, culpe a natureza.


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sobre Miojo e Arcade

FABIO JR. FULL MODE ON! E boas tardes!


Eu não gosto de quase nada que seja instantâneo. Só macarrão. Macarrão instantâneo até vai, mas de resto eu não vejo graça. Não tem graça. Não tem sentido. Não tem a PERSEGUIÇÃO. Você não tem que matar sua janta e tal... Sabe o que é engraçado? Eu fiz essa "piadinha" sabendo que era sem graça, mas se eu fosse um cara da MTV ou um daqueles idiotas do CQC, isso teria contado como piada legitima! E a platéia estaria rindo! E muita gente comentando o quão ESPERTINHO e INTELIGENTE eu sou. Eu seria a salvação do humor nacional, fazendo a pior piada que se pode fazer. CQC é uma merda, e se você assistiu o VMB ontem e não teve um acesso, tem 95% de chance de você ser retardado. Não discuta com os fatos.


Mas voltando um pouco, hoje de manhã passou O pior telecurso 2000 da história de tudo desde sempre. Era sobre língua portuguesa o barato. Basicamente, esse foi o programa: Um magrão escrevendo uma história péssima sobre um cara que briga com um guardador de carros, e outro cara que briga com um policial. Daí de 5 em 5 segundos tudo congela, e vem um negão de terno falar merda. Tipo, realmente falar merda. Ele entra pra falar, sem expressão nenhuma e com as duas mãos grudadas religiosamente, coisas como "e aí galera, o que será que vai acontecer? É agora que vai tudo revelar, qual será o final?". Quase taquei meu controle na TV, mas até fiquei pra assistir o final. No final... Bah, isso não vou falar, você que assista essa merda pra saber.


FALANDO EM MERDA!!!!1!!1!!UM!


Continuo não gostando de coisas instantâneas. Quando eu era menor, eu assistia aquelas cenas de sexo nas novelas, e me perguntava se minha vida seria assim. Se quando eu encontrasse uma fêmea que tivesse pena das minhas olheiras, eu iria começar a rolar na cama com ela ao som de uma música de merda, e daí cortaria pra eu já no outro dia tomando café da manhã. E ela de roupão, mesmo eu não tendo uma porra dessas. Mas tudo parecia possível. Entendeu minha relação aqui? Você perde parte da graça do barato perdendo o processo em si. Comer uma guria no banheiro não tem graça se for fácil demais, é só ligeiramente melhor do que bater uma punheta. Você tem que falar com a garota, convencer de que você é um cara decente, outras coisas mais e daí sim. Tem que ter o processo.


Não tem satisfação melhor do que te ver com as mãos naquela guria que tu quis por meses, anos, décadas, séculos. Esse é um dos meus problemas com hype. Sempre tem uma banda que é apontada como a SALVAÇÃO DO ROCK. Tipo, pode ser que só exista banda merda, mas o ARCTIC MONKEYS SALVOU O UNIVERSO! Ignorando, por um instante, o inegável fato de que o Arctic Monkeys é uma merda, como eles teriam feito isso? O rock é tão maior do que eles, ou do que qualquer banda que não se chame KISS. Como você pode salvar todos esses anos só de gracinha? Você salvou o gênero que já teve Led Zeppelin, puta que pariu. Não confunda palhaçada com meter o palhaço. Esse hype faz de você um clássico instantâneo, e isso é uma puta babaquice.


FALANDO EM BABAQUICE!!!1!!1!!!!1!DOIS!


Mas tem uma banda que, embora não corresponda ao hype, só não o faz porque é impossível alguma banda salvar uma cultura muito maior do que qualquer coisa. Senhoras, estou falando dos canadenses do Arcade Fire. Win Butler conheceu Régine Chassagne no bar, depois de um longo dia trabalhando na construção. Ele pediu uma Bavaria, ela estava lá só pra comprar cigarros, um maço de Charm. Eles se encontraram no balcão, ele olhou pra ela e chamou de gostosa. Reginão deu um tapa nele, e saiu puta do bar. Nosso herói seguiu a moça, pegou-a pelo braço já no meio da rua e tacou um beijão bem babado. Comeu, gostou e pediu exclusividade. Pode ou não ter sido assim que nasceu a banda, eu já não sei. Sei que tem o irmão do Win, William Butler, mas esse não come ninguém da banda até aonde eu sei.


Quando esses caras (e tem outra guria além da Régine, Sarah Neufeld, essa parece ser mais jeitosinha) apareceram na cena em 2004 com o Funeral, foi um sucesso quase unânime. Todo mundo babava no pinto por esse disco, e eu fui checar. Na época, eu já detestava esse hype, já tinha nojo quando até aqueles guris retardados de porta de shopping começavam a falar bem de alguma coisa. Mas ouvi de qualquer jeito. Foi uma revelação. Sim, havia vida inteligente entre as bandas hypadas. Embora a segunda metade do Funeral seja um pouco mais fraca, as 5 primeiras músicas são obra-prima mesmo, e até hoje não ouvi nada parecido com "Power Out". Virei fã. Eu virei fã de algo que passava na MTV, e isso só aconteceu mais uma vez até hoje (no caso do MGMT, mas MGMT não chega nem perto do Arcade Fire, e eu gosto mais por simbolizar uma época da minha vida), e não é uma sensação maravilhosa.


Sarah Neufeld é a guria da frente. Bem jeitosinha. Repare como o cara logo atrás dela está a olhar sua (a dela, não a sua, dãããã) bunda.


Eu gostava de algo que tinha VJ elogiando. Tudo bem que eles até falavam de Wilco, mas bem menos do que Arcade Fire. Parecia impossível não gostar desses caras. Então, em 2007, eles lançaram o Neon Bible. Aí a galera se dividiu. Teve gente que adorou, teve gente que detestou. Eu adorei, achei inclusive um disco bem melhor realizado do que o Funeral. Neon Bible é sombrio, desesperado. É uma puta bad trip. Não é pesado, mas é um disco denso, difícil de ouvir. E as músicas mais pop do Funeral foram embora, só sobrou o lado mais fudido da banda. E, sim, eles tem algumas das viadagens que eu detesto na música, mas o trabalho é tão foda que chega a não interessar. Se você consegue compor "My Body is a Cage", você pode fazer viadagem. Eu deixo. E você nem vai ser debochado num blog roxo.


Arcade Fire é uma puta duma banda, e possivelmente a única banda até hoje que valeu até certo o ponto o hype em cima.


Farei lembrado o teu nome de geração em geração; pelo que os povos te louvarão eternamente.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Blame Canada

'SUP PLAYÁ!


Eu já disse aqui um porrilhão de vezes que o conceito de rock and roll se perdeu um pouco. Hoje uma bicha loca metida a engraçadinho que nem o Dave Grohl é considerado cool. Nas antigas, ele seria espancado e teria seus órgãos arrancados em praça pública. Tá, talvez não, mas o cara pode sonhar, né? Hoje é tudo uma questão de pose, estética acima da mensagem. E isso não é um saudosismo bunda, 7 entre 10 bandas que ganham alguma atenção hoje em dia fazendo rock ganham por todos os motivos errados. Esses números são amplamente objetivos, e foram pesquisados em pesquisas (uau!) sérias. Estou comendo nuggets com batata sorriso, só achei importante mencionar isso. O que é o rock and roll? Isso me leva de volta ao primeiro post desse blog lindo, quando eu disse que rock não é um gênero musical, não é um estilo. É uma cultura, um estado de espírito. Passa por olhar pra baixo e se perguntar porque não tem uma buceta no seu pau. E ser vulgar assim também faz sentido. Nuggets. Batata. Boa combinação, eu recomendo, mesmo pra uma madrugada.


Eventualmente, eu vou falar desse tão belo disco


Eu não estou querendo dizer que só existe uma interpretação para o que é rock and roll. Existe pra mim. O resto pode achar qualquer coisa, inclusive que o viado do Dave Grohl é UM GRANDE COMPOSITOR e GRANDE ARTISTA e GRANDE MÚSICO, quando pra mim ele é só um GRANDE VIADO. Não quero dizer que só eu estou certo, mas eu estou. Confia em mim. E como eu faço agora pra encaixar a porra da banda que eu vim falar em primeiro? Fácil, falando de PEITOS. Death From Above 1979 é uma banda de rock and roll. Música direta, zoada, intensa, berrada, desesperada, repetitiva, mongol, ignorante, sem direção, PEITOS. Eles não fazem um som pesado, eles fazem um som FODIDO. Que só pode ser definido assim, um palavrão em caps lock. Esse duo canadense faz uma música que legitimamente contém todo o espírito do que é rock and roll: É pra fuder, é pra querer sair no tapa, é pra sair berrando na rua, é pra só ficar de canto sendo qualquer estereótipo de drogado.


Jesse F. Keeler (baixo e teclado) e Sebastien Grainger (bateria e vocal) fazem um som dançante e empolgante. Faziam, porque até aonde eu sei a banda acabou. E lançaram só um disco (tem o de remix, mas foda-se isso), You're a Woman, I'm a Machine. Eu queria ter gravado um disco antes desses putos só pra chamar de You're a Woman, I'm a Machine. Esse nome é perfeito. Mesmo que o disco fosse uma merda, já seria obra-prima por causa do nome. Os dois rapazes fazem um rock relativamente tosco, bem dançante, e sem muita pretensão. O som é reto, alto e bem pensado. As composições são excelentes, e é foda achar um momento com uma melodia menos do que boa. Tocar isso ao vivo deve ser divertido pra caralho.


Bosta de banda


O segredo desse animado disco rosa é a falta de viadagem. Não digo viadagem no sentido de dar o cu, isso faz quem quer. A viadagem que eu digo é querer fazer pose, querer ser maior do que a música. Ser o Josh Homme, por exemplo. Por sinal, eu to realmente com medo do Them Crooked Vultures. Deve ser uma merda, mas é o tipo de merda perigosa. Conseguiram juntar 3 dos caras mais escrotos da música, Josh Homme, Dave Grohl e John Paul Jones (que tocou no Led, eu sei, mas só fez aberração desde então). Isso devia ser proibido pela convenção de Genebra, e é o tipo de coisa que pode tirar a Terra do eixo e causar a morte de todos nós. Troço sério.


Bosta de banda parte 2


O DFA1979 não tem viadagem. A banda berra o "let's go get stoned" que definiu o Sublime. Eles me lembram o White Stripes (outro duo, que comparação fácil) nos momentos mais acelerados. Pense num disco inteiro só com "Fell In Love With a Girl", só que mais dançante, e é mais ou menos isso que rola no disco em tela. E isso é brilhante. Isso é digno de prêmio, até. São bandas como o DFA1979 que resgatam o bom gosto. São bandas como o DFA1979 que salvam o mundo das aberrações que são Mars Volta e Queens of the Stone Age. Pode ir na fé se ainda não conhece, o bagulho é bom. Só evite o disco de remix deles. É fraco. Não fraco que nem Them Crooked Vultures, poucas coisas são. Mas fraco ainda. Ouça somente o disco rosa e tudo ficará bem, isso é rock and roll caralho! HOSANNA NAS ALTURAS!


Pois tu, Senhor, abençoas o justo; tu o circundas do teu favor como de um escudo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Títulos São Pros Fracos

ALÔ MAMÃE!!!!


Assisti Screamers hoje. Screamers é um meio documentário com o System of a Down, onde eles basicamente falam do massacre dos armênios. É também uma das maiores babaquices que eu já vi na vida. Eu não gosto dessa banda, nunca gostei. E é foda discordar do ponto do filme, porque, afinal, genocídios são um absurdo do caralho. Mas tome uma pausa, beba uma água, e vamos pensar essa merda juntos.


O vocalista dessa merda de banda, Serj Tankian, uma hora fala algo parecido com "o importante é todo mundo ter na cabeça o massacre dos armênios, e o governo reconhecer". Por que? Por que CARALHOS é importante que todo mundo tenha na cabeça o massacre dos armênios? Tá, o cara pensa no massacre, e faz o que? Sente pena? Sente revolta? Sente tesão? Vai mudar alguma porra? Vai apagar alguma coisa? E se o governo reconhecer, tem gente que honestamente espera que isso evite outras matanças? É fácil falar "PENSE NOS ARMÊNIOS", o foda é pensar no que fazer assim que o cara fez isso...


Tenho certeza que esses caras foram pra casa, pegaram o filme pra assistir, todos vestidos com meramente bermuda e rider, e tacaram na TV, comendo mussarela de bufala com tomate seco. Tiveram altas discussões PROFUNDAS sobre o que estavam vendo. Depois deram a bunda.


O ser humano é um bicho problemático. Quanto tempo faz que estamos nos matando? Matando dos piores jeitos possíveis, e cada vez mais em números maiores. Mas agora mesmo é provável que tenha alguém morrendo de fome não muito longe de onde você está. E pra uma banda grande que nem o SOAD é sensual ser POLITICAMENTE ENGAJADO, eles estão alertando todo mundo dos ABSURDOS que acontecem. No final do dia, eles recebem o dinheiro pelo show merda que fizeram, e no dia seguinte estão cuspindo como o mundo tem responsabilidade sobre os armênios. E eu nem chego a negar isso, mas eles que vão pra puta que pariu com essa condescendência de merda. Eles querem que o massacre seja reconhecido. Lindo. Épico. E os massacres hoje em dia? Acho que falar desses não é lucrativo.


E não duvide por um instante que existe uma propaganda filha da puta por trás desse filme, conscientemente ou não. A banda posa de boazinha. Posa de consciente. Até tem um cara que diz certa hora que é "ótimo ter o SOAD pra falar desses assuntos, porque se não fosse por eles, ninguém mais falaria". Óbvio que eu quase joguei minha cadeira no projetor. Tem gente morrendo agora, porra, tem gente ficando maluca. Quem se importa se o bicho pensa ou não se o que os turcos fizeram foi um absurdo? Foi, e eles merecem alguma resposta por isso. Mas essa resposta gera mais morte, invariavelmente. Então qual é a solução?


Dedé Santana ouvindo um System of a Down. Ele curtiu.


Não tem solução. Se amanhã algum país perdido por aí decidir matar metade de sua população, ninguém pode fazer nada. Esse tipo de coisa acontece, embora não devesse. E quem tá morrendo de fome agora? Por que os idiotas do SOAD não ajudam esses caras? É mais fácil apontar dedos pra uma multidão alienada e falar, "GALERE, HOUVE GENOCÍDIO!". Eles mais usam do acontecimento como promoção do que realmente fazem algo pra mudar a situação. O que pode mudar a situação? Eu honestamente não sei, mas também não fiz merda nenhuma pra mostrar ao mundo como isso tudo é FUDIDO. É fudido, mas esse não é o ponto.


E como filme, Screamers peca pela total falta de sutileza. Existe só uma interpretação pro filme, e isso é um crime mesmo falando de um documentário. Você não pode simplesmente pensar "porra, que se fodam os armênios", não existe essa liberdade. Um grande filme fala seu conceito sem palavras, você simplesmente percebe, como se tivesse um fantasma do lado da tela falando "oh, o mundo é um lugar fdp". Nesse caso, parece que tem um elefante na frente da tela berrando "PORRA, O MUNDO É UM LUGAR FDP!". Elefantes berrando, eu ando dormindo bem pouco. Farei isso agora. Não percam tempo assistindo essa onça. É análise pseudo-profunda de um cenário político, totalmente mastigada pro público alvo da banda.


Resoluto está o meu coração, ó Deus, resoluto está o meu coração; cantarei, sim, cantarei louvores.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Heaven Beside You

"TONIGHT... YOU!"


Certo dia estava tendo uma discussão com uns amigos sobre bandas dos anos 90. Quais eram as melhores e tal, essas merdas que o cara faz quando não tá fazendo muito sexo. Por alguma razão, pintou a questão de qual seria a mais desesperadora, no sentido de qual passava mais ódio e desesperança. Os nomes voaram. Darkthrone, Electric Wizard, Kyuss, e outros tantos. Eu soltei "Alice in Chains". Os caras se revoltaram, e mataram o assunto pra voltar a fazer qualquer outra coisa que o cara faz quando não tá fazendo muito sexo.


Por que essa porra dessa introdução meio nerd desnecessária? Simples: Alice in Chains não é uma resposta sexy pra esse tipo de pergunta. Porra, eles fizeram sucesso, nenhum fã de música vanguardista pode gostar duma coisa que fez o sucesso que eles fizeram. Simplesmente não é um nome esperado pra uma questão dessa, até por eles terem sidos associados com a cena grunge que, com todo respeito, é uma merda absoluta. E não foram associados no sentido Mudhoney da coisa, e sim no sentido Nirvana da coisa. E isso é terrível. Mas a galera algumas vezes esquece que a mídia musical é em grande parte uma merda que ama cometer esse tipo de barbaridade, e que o mundo é um puta dum lugar maluco, onde coisas inexplicáveis já fizeram sucesso.


Dirt, de 1992, é o disco mais popular desses rapazes. É uma bad trip dos infernos, e se tu deixar vai te dominar de algum certo modo. Mais ou menos como criança fica babando vendo Backyardigans, o Dirt pode provocar baba num adulto qualquer. Mas tem que entrar no clima. Tem que deixar a música fazer seu trabalho. A situação perfeita pra ouvir o disco talvez seja andando de manhã na chuva. Todo mundo passa mais seco do que você, e andar é simplesmente pesado, ainda mais sem ter aonde ir. O assalto emocional das 7 primeiras músicas já vai te deixar meio alienado da situação, e chegando em "Down in a Hole" e "Would" você já vai estar em outro cenário praticamente. Outro mundo. Um mundo menos colorido, dominado pela agonia das drogas.


É, mais ou menos assim...


"Agonia das drogas" pareceu campanha merda anti-droga, mas não é minha intenção. O disco é realmente isso, é essa agonia, esse sofrimento do caralho. É como esperar por aquela guria. Porra, minhas metáforas sempre giram em torno de mulher, mas foda-se. É como esperar, no silêncio, esperando qualquer coisa. Você quer ela, não quer? E vontade de berrar isso, e mais do que isso, vontade de berrar pra alguém isso. E ela não aparece, e de repente sua noite já acabou. As horas sempre passam antes de você perceber que isso é basicamente perda de tempo. As horas te massacram. Nem sei aonde fui com essa metáfora em especial, mas eu geralmente me fodo quando fico apaixonadinho por alguma guria. E sempre me fodo sozinho, esse que é o lance. Esperar qualquer tipo de resposta sempre me fode, e não demora muito pra eu fazer merda e ter que esquecer todo o assunto.


O AiC é a trilha disso. É sobre se perder em vontades, se perder em necessidades desconhecidas até ontem. Sobre essa relação com as drogas, e sobre todo o landscape morto que nos rodeia. Sobre como essa dependência é uma merda, mas mesmo assim supera o resto. Eu morro esperando resposta da guria, mas é melhor do que só morrer. É um sofrimento diferente, conceitual. Você praticamente escolhe se dedicar a se fuder. E o ódio do AiC é esse. Ódio por si mesmo, mas principalmente ódio por tudo a ter te deixado nessa situação. Você não é vítima, é o passageiro sentado lá atrás no busão, onde o motorista nem consegue te ouvir. E não tem esperança absolutamente nenhuma de que ele vá no seu ponto.


Palavras não conseguem começar a expressar o quanto essa merda de banda me revolta.


Não sei se eu consegui me fazer entender, mas o som é na verdade o som da confusão. E essa confusão gera angustia, e isso fica bem claro nas vozes do Layne Staley e do Jerry Cantrell. Os rapazes são (não são mais no caso do Staley, que foi pro caralho de forma trágica em 2002) bastante talentosos. O AiC é uma banda de composições relativamente tradicionais. É verso-ponte-refrão, as assinaturas de tempo são normais e nada na estrutura da música chama muito a atenção por ser diferente. Mas é um massacre. As guitarras são monstruosas, a cozinha é pesada pra caralho e nem vou comentar sobre o vocal do Staley. O som é sufocante se você deixar, se prestar atenção, se entrar no clima. É um som triste, raivoso. E mantenho o que eu disse: Alice in Chains é a banda mais desesperadora dos anos 90, e talvez seja a melhor.


Só pra terminar, eu falei mais do Dirt do que dos outros discos, mas é principalmente porque o Dirt é a obra definitiva deles. O resto é legal, principalmente o Jar of Flies, e "Man in the Box" é facilmente um dos melhores hits da história. Mas o Dirt é impressionante. O foda é como tem tanta gente normal, caretona com esse disco. É possivelmente a maior obra sobre drogas e o monstro escondido no cérebro humano. E só pra terminar com o maior clichê possível quando se fala de Alice in Chains, sim... Choveu quando ele morreu.


Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito por mim.